A imprensa não entende de goleiro mesmo. Dizer que o Casillas foi o melhor jogador em campo é um absurdo. Buffon foi de longe o nome do jogo. Buffon sai do gol no alto como poucos. É preciso ter o porte dele para dividir no ar como ele divide. Soca a bola no meio de um monte de gente, segura ela no ar, e é de uma segurança sem fim. Seu erro: o mesmo erro de Khan na final de 2004. Excesso de confiança. Quase levou um frango na bomba de Marcos Senna. Não era uma bola para encaixar. Era para espalmar. Porém, naquele momento do jogo, com o tanto que ele estava jogando, foi todo auto-confiante e a bola lhe escapou. Exatamente a mesma coisa que aconteceu com Khan no chute de Rivaldo, que originou a escapadela para Ronaldo tocar para dentro e matar a Alemanha. Buffon teve mais sorte. Chegou na bola que lhe escapou. E não estou errado no que estou dizendo. Não me digam "Chegou nada, a bola bateu na trave." Ele chegou, sim. Foi para dar um tapa na bola, mas quando percebeu que bateria na trave, esperou para pegá-la sem a necessidade de tocá-la para escanteio. Um mestre até num lance nervoso.
Claro que Casillas foi essencial na vitória. Não discordo. Só não acho que jogou tanto quanto Buffon. E aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação saiu jogando afoitamente pelo lado direito de seu time, e provocou um contra-ataque italiano, que poderia ter sido o fim da Espanha. Fez aquela defesa com o pé, defesa de reflexo do tipo "goleiro de futsal". Fez a defesa na cabeçada durante a prorrogação, e depois pegou dois penaltis. Tá ótimo. Mas o Buffon foi tecnicamente melhor.
Magrão não mereceu perder para o São Paulo no Morumbi no sábado. O goleiro do Sport estava pegando tudo. Tudo mesmo. No chão, no alto, saindo bem do gol, e no fim o bate-rebate dentro da área resultou num tiro à queima-roupa indefensável.
Fábio Costa voltou a fazer das suas. Saiu feito louco e fez penalti infantil que resultou no terceiro gol do Goiás. Também cagou na bola que levou no meio das canetas no segundo gol goiano. O Buffon deu uma saída em um lance parecido, porém com as pernas devidamente fechadas, e a bola bateu nas suas canelas e saiu. O goleiro Leão deve estar rindo em casa.
Só não posso deixar de fazer justiça e dizer que jogar contra um Villa da Espanha é muito mais fácil do que jogar contra um Yarlei ou Romerito do Goiás. E eu falo sério. Os europeus são os melhores marketeiros do mundo em termos de futebol. Qualquer peladeiro no Brasil, mas qualquer um mesmo, joga muito mais que Luca Toni da Itália e do que os dois atacantes espanhóis de ontem. Puta-que-o-pariu, como são ruins.
Biscoito de polvilho doce (lembrando meu amigo, Paulo Manoel...)
Abondanzieri!!!!! O que esse cara jogou ontem não foi brincadeira. E o que ele fez de melhor não foram as defesas nos dois chutes de Júlio Batista, foram as reposições de bola. Vocês prestaram atenção em como esse goleiro repõe a bola maravilhosamente bem. Ele se põe meio de lado, quase paralelo ao chão (O Rogèrio Ceni também faz assim, e também tem um bom aproveitamento) e joga a bola em quase 100% das vezes no pé do argentino lá na frente. O time já joga esquematizado para receber os lançamentos dele.
Júlio César deixou mais uma bola cruzar a pequena área como aquela que resultou no primeiro gol do Paraguai. Fez uma boa defesa no fim do jogo em um chute de fora da área do Messi. A bola foi para o lado esquerdo dele, quando ele esperava na direita, mas ainda assim se contorceu para espalmar. Foi uma bola bem difícil, embora não tenha parecido.
Empada de frango do Fran's Café da Fnac.
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